mesa de escritorio com carta de aviso previo sendo assinada e calendario de parede ao fundo

Aviso Prévio: Como Funciona na Demissão e no Pedido de Demissão

Imagine uma trabalhadora que pede demissão e ouve do RH: “você quer cumprir o aviso ou sair direto?”. Se ela não souber o que essa escolha significa no bolso e no tempo de casa, vai decidir no escuro — porque o aviso prévio não é um detalhe burocrático — é um direito com prazo, com regra de cálculo e com consequências diferentes conforme quem toma a iniciativa de encerrar o contrato.

Para entender o aviso prévio basta olhar para o prazo mínimo de 30 dias, o acréscimo por tempo de casa, a diferença entre aviso trabalhado e indenizado, e o que muda quando é você quem pede demissão. Já existem neste blog guias completos sobre demissão sem justa causa e sobre pedido de demissão — aqui o foco é só no mecanismo do aviso prévio em si, para você entender o que acontece nesse período de transição, seja qual for o lado que decidiu encerrar o contrato. No site oficial do governo você encontra o texto da CLT e da Lei nº 12.506/2011, que criou o acréscimo proporcional.

Resumo: como funciona o aviso prévio

  • Prazo mínimo: 30 dias (CLT, art. 487, II), para quem tem contrato mensal ou mais de 12 meses de casa.
  • Acréscimo: +3 dias por ano completo de serviço na mesma empresa, até o teto de 90 dias (Lei nº 12.506/2011).
  • Trabalhado: você continua na empresa, com jornada reduzida em 2 horas por dia ou 7 dias corridos de falta no fim (CLT, art. 488).
  • Indenizado: a empresa paga o valor do aviso em dinheiro e libera você na hora.
  • Pedido de demissão: você também deve avisar com 30 dias de antecedência — e, se não avisar, a empresa pode descontar o valor equivalente.
  • Falta de aviso pelo empregador: você tem direito aos salários do período, mesmo sem trabalhar (CLT, art. 487, § 1º).
calendario de mesa com contagem dos 30 dias do aviso previo marcados

Antes de conferir seus dias de aviso: as contas abaixo seguem a regra geral da CLT e da Lei nº 12.506/2011, mas a data de admissão, o tipo de salário e o motivo da saída mudam o resultado. Este texto não é parecer jurídico (a autora não é advogada): se os dias de aviso no seu termo de rescisão não baterem com a tabela, o sindicato da sua profissão pode conferir a contagem com você.

O aviso prévio, pergunta por pergunta

O que é o aviso prévio e para que ele serve?

O aviso prévio é o período de transição entre o anuncio de que o contrato vai acabar e o dia em que ele efetivamente termina. A lógica por trás dele é simples: nenhuma das partes deveria ser pega completamente de surpresa. Se a empresa quer dispensar você, precisa avisar com antecedência (ou pagar por essa antecedência). Se é você quem quer sair, a mesma lógica vale ao contrário: a empresa tem direito a um tempo mínimo para se organizar e substituir a sua vaga.

A regra está no artigo 487 da CLT, que diz que, não havendo prazo estipulado no contrato, a parte que quiser encerrar a relação de trabalho sem justo motivo deve avisar a outra parte com antecedência mínima. Repare que a lei fala em “a parte” — ou seja, essa obrigação vale tanto para o empregador quanto para o empregado. É por isso que o aviso prévio aparece tanto na demissão quanto no pedido de demissão, só que com consequências financeiras diferentes para cada lado, como você vai ver mais adiante.

📘 Base legal: o mecanismo do aviso prévio está nos artigos 487 a 491 da CLT e na Lei nº 12.506, de 2011, que criou o acréscimo proporcional ao tempo de serviço.

Qual é o prazo mínimo do aviso prévio?

Pelo art. 487, inciso II, da CLT, quem recebe por quinzena ou por mês — ou seja, a grande maioria dos empregados com carteira assinada — tem direito a um aviso prévio de, no mínimo, 30 dias. Esse é o piso: nenhum contrato pode prever prazo menor que esse para quem se enquadra nessa regra. A CLT ainda traz, no mesmo artigo, uma regra antiga para quem recebe salário diário (8 dias, se o pagamento for semanal ou em período menor), mas essa hipótese é rara hoje em dia, já que a imensa maioria dos contratos é mensal.

Esses 30 dias contam a partir do momento em que uma das partes comunica à outra que quer encerrar o contrato. É a partir dessa comunicação — verbal ou por escrito, embora o ideal seja sempre por escrito, para ter prova da data — que o prazo começa a correr.

Como funciona o acréscimo de 3 dias por ano de casa?

Em 2011, a Lei nº 12.506 mudou a lógica do aviso prévio para quem trabalha há mais tempo na mesma empresa. O art. 1º dessa lei mantém os 30 dias para quem tem até 1 ano de serviço, mas o parágrafo único determina que sejam acrescidos 3 dias por ano de serviço prestado na mesma empresa, até o máximo de 60 dias a mais — o que faz o aviso prévio chegar a, no máximo, 90 dias no total.

Na prática, quanto mais tempo de casa, maior o aviso prévio, até bater no teto. Veja como isso se traduz em números:

Tempo completo de casa Dias de aviso prévio
Menos de 1 ano 30 dias
1 ano 33 dias
2 anos 36 dias
5 anos 45 dias
10 anos 60 dias
15 anos 75 dias
20 anos ou mais 90 dias (teto)

O cálculo é 30 dias + 3 dias para cada ano completo de serviço na mesma empresa, até o teto de 90 dias no total. Esse é o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e da Nota Técnica nº 184/2012 do Ministério do Trabalho: o primeiro ano completo já conta, então quem completou 1 ano de casa tem 33 dias, e com 20 anos completos já se chega aos 90. Se você tem, por exemplo, 4 anos e 7 meses de casa, o cálculo considera os anos completos — os 7 meses adicionais, isoladamente, não entram na conta do acréscimo. Nesse caso, ficam 30 + 3 × 4 = 42 dias.

Onde a conta da rescisão costuma falhar: o acréscimo proporcional é um dos itens mais esquecidos (ou calculados errado) numa rescisão, justamente porque poucas pessoas sabem que ele existe. Um exemplo: quem tem 8 anos completos de casa e é dispensado sem justa causa deve receber 30 + 3 × 8 = 54 dias de aviso, e não apenas 30. Se o valor vier calculado como se fossem só 30 dias, vale refazer a conta e apresentar o cálculo correto ao RH, por escrito.

Aviso prévio trabalhado ou indenizado: qual a diferença?

O aviso prévio pode acontecer de duas formas bem diferentes na prática:

Aviso prévio trabalhado

Você continua indo trabalhar normalmente durante todo o prazo do aviso. Para compensar o tempo que você vai precisar para procurar uma nova colocação, o art. 488 da CLT garante que, quando a rescisão é promovida pelo empregador, a sua jornada diária seja reduzida em 2 horas, sem nenhum desconto no salário integral. A lei também dá uma alternativa: em vez da redução diária, você pode optar por faltar ao trabalho por 7 dias corridos no fim do aviso — também sem perder o salário integral desse período. A escolha entre as duas opções é sua, não do empregador.

Aviso prévio indenizado

Aqui a empresa dispensa você imediatamente, sem exigir que continue trabalhando, e paga o valor correspondente aos dias do aviso em dinheiro, junto com as demais verbas da rescisão. Mesmo indenizado, esse período continua contando como tempo de serviço para todos os efeitos legais — ou seja, ele entra no cálculo do saldo do FGTS, das férias proporcionais e do 13º proporcional, exatamente como se você tivesse trabalhado esses dias (CLT, art. 487, § 1º e § 6º).

Vale ainda destacar dois pontos que a CLT traz sobre o valor do aviso indenizado: as horas extras habituais integram o cálculo do aviso prévio indenizado (art. 487, § 5º), e um eventual reajuste salarial coletivo concedido durante o prazo do aviso também beneficia quem já recebeu o aviso antecipadamente (art. 487, § 6º).

Quem escolhe entre trabalhado e indenizado: quem decide o tipo de aviso — trabalhado ou indenizado — é normalmente quem toma a iniciativa da rescisão. Se a empresa dispensa você, ela escolhe se quer que você continue trabalhando ou se prefere pagar e liberar na hora. Ainda assim, converse: em muitos casos a empresa aceita negociar, principalmente se você já tem uma proposta de outro emprego em mãos.

O que pode acontecer durante o período do aviso?

A CLT prevê algumas situações específicas para o que pode acontecer enquanto o aviso prévio está em curso:

  • Arrependimento de quem deu o aviso (art. 489): se a parte que comunicou o fim do contrato mudar de ideia antes do prazo terminar, cabe à outra parte aceitar ou não essa reconsideração. Se aceitar (ou se o trabalho continuar normalmente após o prazo vencido), o contrato segue como se o aviso nunca tivesse sido dado.
  • Falta grave do empregador durante o aviso (art. 490): se a empresa, durante o prazo do aviso que ela mesma deu, cometer uma falta grave que justifique o fim imediato do contrato, ela fica obrigada a pagar a remuneração de todo o período do aviso, sem prejuízo de outras indenizações devidas.
  • Falta grave do empregado durante o aviso (art. 491): se for o empregado quem comete, durante o aviso, uma falta considerada grave pela lei, ele perde o direito ao restante do prazo — ou seja, pode ter o contrato encerrado na hora, sem receber os dias que faltavam.
  • Despedida indireta (art. 487, § 4º): o aviso prévio também é devido quando é o empregado quem rescinde o contrato por culpa do empregador (a chamada despedida indireta, quando a empresa comete falta grave contra o trabalhador).

Como funciona o aviso prévio quando é você que pede demissão?

Essa é a dúvida que mais aparece na prática, porque o aviso prévio costuma ser explicado como se só existisse na demissão — mas o art. 487 da CLT é claro ao dizer que a obrigação de avisar com antecedência vale para “a parte que, sem justo motivo, quiser rescindir o contrato”, e isso inclui você quando decide sair. Se você pede demissão, precisa avisar a empresa com 30 dias de antecedência, do mesmo jeito que ela precisaria avisar você.

Alguns pontos práticos importantes sobre o aviso prévio no pedido de demissão:

  • Se você não cumprir o aviso: pelo art. 487, § 2º, da CLT, a falta de aviso prévio por parte do empregado dá à empresa o direito de descontar, das suas verbas rescisórias, o valor equivalente aos salários do prazo do aviso que você não cumpriu. Ou seja: se você simplesmente não aparece mais depois de comunicar a saída, a empresa pode abater esse valor do que tem a te pagar.
  • Se a empresa dispensar você do cumprimento: na prática, muitas empresas preferem liberar o funcionário na hora, sem exigir os 30 dias de trabalho, e sem fazer o desconto — isso é uma liberalidade da empresa, não uma obrigação legal.
  • Sobre o acréscimo proporcional: no pedido de demissão, prevalece nos tribunais trabalhistas o entendimento de que o acréscimo de 3 dias por ano de casa, criado pela Lei nº 12.506/2011, foi pensado para proteger quem é dispensado pela empresa — e não para aumentar o tempo de aviso que o próprio empregado deve cumprir ao sair por vontade própria. Por isso, na maior parte dos casos de pedido de demissão, o prazo de aviso considerado é o fixo de 30 dias, independentemente do tempo de casa. Como esse é um ponto de interpretação, e não uma regra explícita e literal da lei, vale confirmar a situação específica com o RH da empresa ou com um advogado trabalhista.
  • O que você não recebe: como já explicado no guia sobre pedido de demissão, quem pede para sair não tem direito ao aviso prévio indenizado pago pela empresa (já que a iniciativa foi sua), não saca o FGTS e não recebe a multa de 40%.

Aviso prévio trabalhado x indenizado: o que muda em cada modalidade

Trabalhado

Você continua na empresa durante o prazo do aviso, mas com a jornada reduzida em 2 horas por dia (ou 7 dias corridos de falta no fim), sem perder o salário integral. Ou seja: você segue trabalhando enquanto procura a próxima colocação.

Indenizado

A empresa paga em dinheiro o valor correspondente aos dias do aviso e libera você na hora, sem exigir que continue trabalhando. Mesmo assim, esse período conta como tempo de serviço para férias, 13º e FGTS.

Em regra, quem dá o aviso escolhe entre as duas formas: na demissão, é a empresa quem decide. Quando é você que pede demissão, o normal é o aviso trabalhado (ou a empresa dispensar o cumprimento) — não há aviso indenizado a receber, porque a saída partiu de você.

Aviso prévio: demissão sem justa causa x pedido de demissão

Para fechar, vale enxergar as duas situações lado a lado:

  • Demissão sem justa causa: a empresa deve avisar com 30 dias + acréscimo proporcional (até 90 dias). Pode ser trabalhado (com redução de jornada) ou indenizado (pago em dinheiro). Se a empresa não avisar, paga o período mesmo assim.
  • Pedido de demissão: você deve avisar com 30 dias fixos. Se não avisar, a empresa pode descontar o valor equivalente das suas verbas. Não há aviso indenizado a receber, porque a saída foi por sua iniciativa.

Em qualquer um dos casos, o prazo do aviso prévio — trabalhado ou indenizado — entra no cálculo do restante das verbas rescisórias, como férias proporcionais, 13º proporcional e FGTS. Por isso, saber exatamente quantos dias de aviso você tem direito é o primeiro passo para conferir se a sua rescisão está correta — e nossa calculadora de rescisão pode ajudar a somar tudo isso na prática.

Sobre a autora — Juliana Marques

Passei anos de carteira assinada, com rescisão, banco de horas e adicional noturno no caminho, antes de criar o CLT Descomplicada. O aviso prévio é daqueles temas em que três dias a mais ou a menos por ano de casa viram dinheiro na rescisão, e quase ninguém confere. Não sou advogada: o que está aqui serve para você refazer a conta dos seus dias e chegar ao RH com o número certo. Quem escreve o blog.

Se a conta do seu aviso não fechar: peça ao RH, por escrito, como chegaram ao número de dias. Desconto que você considera indevido ou suspeita de despedida indireta já pedem que um advogado trabalhista olhe os seus documentos; este guia descreve a regra geral e não substitui essa análise.

duas pessoas em sala de reuniao entregando documento de aviso previo

Perguntas frequentes

Qual é o prazo mínimo do aviso prévio?

O prazo mínimo é de 30 dias, conforme o art. 487, inciso II, da CLT, para quem recebe salário mensal ou quinzenal — a maioria dos empregados com carteira assinada. Esse prazo pode aumentar com o acréscimo proporcional da Lei nº 12.506/2011, até o teto de 90 dias.

Como funciona o acréscimo de dias por tempo de serviço?

A Lei nº 12.506/2011 acrescenta 3 dias de aviso prévio para cada ano completo de serviço na mesma empresa, contando já o primeiro ano (quem tem 1 ano completo tem 33 dias), até o limite de 60 dias adicionais — totalizando, no máximo, 90 dias de aviso prévio.

Qual a diferença entre aviso prévio trabalhado e indenizado?

No aviso trabalhado, você continua na empresa com a jornada reduzida em 2 horas por dia (ou 7 dias corridos de falta no fim), sem perder o salário integral (CLT, art. 488). No aviso indenizado, a empresa paga o valor do período em dinheiro e dispensa você imediatamente, mas esse tempo continua contando como tempo de serviço para férias, 13º e FGTS.

Como funciona o aviso prévio quando eu peço demissão?

Você também deve avisar a empresa com 30 dias de antecedência (CLT, art. 487). Se não cumprir esse aviso, a empresa pode descontar o valor equivalente das suas verbas rescisórias (art. 487, § 2º). Na prática, prevalece o entendimento de que o acréscimo proporcional da Lei nº 12.506/2011 não se aplica nesse caso, valendo o prazo fixo de 30 dias.

A empresa é obrigada a me deixar sair sem cumprir o aviso prévio quando eu peço demissão?

Não. A empresa pode exigir o cumprimento dos 30 dias, mas muitas optam por liberar o funcionário antes, por liberalidade. Se isso acontecer sem acordo formal sobre o desconto, vale confirmar por escrito como a situação será tratada na rescisão.

O que acontece se a empresa não me der o aviso prévio?

Pelo art. 487, § 1º, da CLT, a falta de aviso prévio por parte da empresa dá a você o direito de receber os salários correspondentes ao prazo do aviso, mesmo sem trabalhar, e esse período ainda é somado ao seu tempo de serviço.

Posso ser demitido durante o próprio aviso prévio?

Sim. Se você cometer, durante o aviso, uma falta considerada grave pela lei, perde o direito ao restante do prazo (CLT, art. 491). Da mesma forma, se a empresa cometer falta grave durante o aviso que ela deu, fica obrigada a pagar a remuneração de todo o período (art. 490).

Juliana Marques, autora do CLT Descomplicada
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Juliana Marques passou anos trabalhando de carteira assinada — rescisão, banco de horas, adicional noturno — antes de criar o CLT Descomplicada para explicar direitos trabalhistas em linguagem simples, sempre com base no texto oficial da lei. Não é advogada: este site é informativo e não substitui orientação jurídica profissional.

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